26 de ago. de 2011

SEGREDOS DE AMOR

Brincam em mim tantos segredos de amar,
Como se fossem revelações de medo,
Arremedos de revelações,
Turvar-se de paixões que se morreram sós.
Doces são todas as paixões e benditas sois.

Amargo perdê-las,
Triste  viver longe delas.
Aventuras minhas que terminaram em mim,
Brincando dentro de mim
Como se meu corpo fosse envelope de tristezas.
De frustrações,
Sensações do derramar-se o último gole d’água
Perder-se, sem mágoas, nesse emaranhado de ilusões
Sem trazer de volta os segredos dos perdidos amores.

Quem amarão  nesse momento?  Sei lá...
Sei, apenas, que firmando os olhos em alguma estrela vária,
Sinto-me, completamente só, nessa noite solitária.


Fortaleza, 26 de agosto de 2011


PORTEIRAS

Dia dessas, noite dessas,
Nossos olhos se encontrarão.
Será que perguntarão pelas lágrimas derramadas?
Aí, não importarão  tormentas,
Nem tempestades que provocamos nós.
Por que desfazê-las agora?  Não, amor,
Nosso tempo é relógio sem hora, espaço vazio.
Por que abrir tantas porteiras, que se revelam cruéis?
Por que, se a liberdade fugiu e é rio que morre no mar?
Somos náufragos de uma vida, que, nessa noite,
Nem espera o dia amanhecer.
















23 de ago. de 2011

AMOR:  ASSIM COMO NASCE À PRIMEIRA VISTA, DEVERIA MORRER À ÚLTIMA VISTA.

Dia desses, com tristeza, recebi a notícia da separação de uma amiga minha. Com tristeza, digo, porque o separar-se é algo que envolve sentimentos quebrados, rotinas dantes não avaliadas, que muitas vezes ficam acumuladas no inconsciente, mas, quando afloradas, são piores do que uma guerra atômica em seu zênite.
Caminhei alguns minutos em volta de mim mesmo, como quem mergulha em si mesmo, dentro de suas experiências de, também, separado e calculei o momento em que iria falar com minha amiga sobre o que houvera acontecido.
De chofre, vi, em derredor, as paixões inebriantes que sufocam os enamorados com suas juras eternas de amor, de fidelidade, de amar-se e de ser-se uma para o outro a vida inteira, como se a vida fosse o jardim desenhado, florido e apascentado por balir de ovelhas, mugires de vacas e folhas caídas de árvores primaveris, anunciando um novo alvorecer, um novo florescer de paz, de amor inconteste, sem máculas e sem problemas. Esse é o mais lindo e sacro recôndito dos amantes. Deveria, portanto, transcender-se.
Infelizmente, a vida não é azul e nem composta somente de ceu de brigadeiro. A vida é um conturbar-se perene de dificuldades e desafios, onde aqueles que a ousam atravessar deveriam levar em conta o companheirismo de quem se lhes sustenta o cantil necessário à jornada e reparte o pão que lhes fará seguir adiante. O darem-se as mãos é o mais singelo ato de amor quando se avistam tempestades.
Em todos os cantos e poemas, romances e conversas no divã, busca-se o tal equilíbrio sentimental. Nós somos a síntese diáfana do amor e do ódio. Somos aríetes da emoção e do imediatismo da paixão. Seres apaixonados não olham a realidade. São tão fortes em si mesmos que o conselho do cuidado soa-lhes obstáculos que não podem ser considerados.
O amor, assim como nasce entre duas pessoas, deveria morrer da mesma forma. Os sentimentos ante a perda, quiçá, irreparável por parte do homem, que haverá de se sentir o último da espécie em imaginar sua amada em outros braços, buscando um novo amor, dantes lhe jurado, ou da mulher que se vê abandonada, como se fosse vindita por algo que lhe fugira à compreensão, são exatamente iguais: o fracasso.
Restou-me dizer, à minha amiga, essas palavras e unir-me a ela em seu sofrimento. Sofrimento de quem já passou por isso e escapou quase ileso. Sofrimento de quem pensa no ser humano como o ser que é humano e que tem suas verdades, seus momento, seus mistérios, suas glórias e decepções. Sofrimentos que alimentam a necessidade de se recompor e enxergar a vida sem que o outro seja, necessariamente, o complemento.
A separação, hoje, parece-me, o caminho mais fácil da covardia e da falta de honestidade. Em ambos os sexos. Os apelos são muitos e todos são bonitos perante a lei, assim como o melhor, ou a melhor, dos ou das amantes. Somos, na maioria, pais de filhos de pais separados, que buscam mostrar para os filhos que a relação não deu certo, mas que eles se encontrem e sejam felizes com seus pares. E nós, os que fomos deixados para trás, homens ou mulheres, somos ou seremos felizes, enquanto feridas tantas povoarem nosso imaginário? Honestamente, não tenho a resposta e, se a tivesse, talvez fosse eu o primeiro a ser mais feliz.



AMANDA
Braz

Vem com jeito de menina,
Teu chorar é só neblina,
Inundando os olhos meus,
Crescerás como alvorada,
Como noite enluarada,
Embalando os sonhos meus.

Teu amor, então, comanda
Astros, círios e oceanos.
O universo é o teu plano,
Tua trilha, tua sina
E a vida te ensina
A conquistar os sonhos teus.

Há sorrisos de esperança
Pelas praças, pelas ruas,
Rede armada nas varandas
Flores, chão, estrelas, ceu
E a vida é só Amanda.

Esse poema eu compus para Amanda, filha do meu querido amigo Edvânio Nobre ( O Zé de Louro), por ocasião de seu nascimento, mas só agora encontrei nas minhas desordenadas anotações.


18 de ago. de 2011

Mara

Como negar ao meu coração esse carinho
 a esse amor que é tão amigo
que divido aqui contigo
nesses versos que componho,
que suponho sejam chão, sejam caminho.

Como negar essa paz
 que transmitem os olhos teus,
que não choram com adeus,
não se quedam ante amarguras.

Como fico sem cantar
Lindas loas de amizade
Pra dizer que, na verdade,
Poemas são para brindar
Quem nasceu na poesia
Quem pra mim é flor do dia,
Quem pra mim é liberdade.

Digo, enfim, sem um lamento
Amizade não é momento
É infinito que conduz
Quem a tem, quem a possui,
Para uma estrada que só flui
Somente pra quem tem luz.

Bjs.... feliz aniversário!!!!
Mandei agora porque você estava muito mal criada no seu dia, viu? Bichinha!!!

13 de ago. de 2011

LETÍCIA

Nos teus olhos um aquário
É maior que o oceano
Ondas são uma menina
São silêncio de crianças
No teu rosto um riso franco
Faz a gente se embalar.

Num sonho tão verdadeiro
Dá vontade de brincar
Quando te vejo correndo
Numa estrada que suponho
Vejo em ti a liberdade,
A canção que eu componho
Seja a canção do vento
Seja o sopro azul da paz.

A candura da criança
Num oceano de ternura
Que uma onda não desfaz.

9 de ago. de 2011

DIA DOS PAIS

UM OLHAR DE TERNURA
Cicero Braz de Almeida

Te ensinaram que a vida é tão dura,
Que ser forte é realização,
E esconderam a tua ternura
No oásis do teu coração.

Te ensinaram a acordar  cedinho.
Lá, no berço, eu queria  carinho.
Esqueceram que a tua verdade
É chão, fazendo nosso caminho.
Esqueceram, pai,
Que parto não é só de montanha;
Que amar é sublime
Que na vida é o amor que ganha.

Se um dia eu ficar bem tristonho
E sentir os meus olhos sem brilho,
Lembrarei que, também, tenho filhos,
Que sou pai, que também tenho sonhos
De mostrar minha realização.

Vou lembrar que somos iguais:
Pai e filho, homem e trabalhador
Lembrarei que um porto seguro
Não precisa de um homem tão duro
Basta, apenas, um olhar bem maduro,
Basta, apenas, um gesto de amor.


22 de jul. de 2011

A MORTE DE MEU PAI”
Assim, entre aspas, começo a meditar sobre o texto de um amigo, dileto amigo e escritor: Álder. É como lhe chamo e como a ele me dirijo, em palestras boas ou quando jogamos conversa fora. Assim, como lhes escrevo e como vejo o universo desse meu caro amigo (como disse um dia Chico Buarque), mas não naquela realidade política tão bem retratada por ele. Não. O assunto é bem outro. E como é.
Escreve-nos, o articulador, sobre uma passagem triste em sua vida: a morte de seu pai.
Em seu trajeto, entre Fortaleza e Iguatu, toda a sua infância lhe veio como um filme, em preto e branco, do que fora a experiência de ter um pai. Cabiam-lhe, na bagagem de filho, alforjes tantos de saber e de ternura que aqueles minutos, em um avião, não lhe diriam jamais. Uma viagem, remetida a outra viagem mais profunda, mais verdadeira. Uma viagem num trem de um interior.
Lendo essa crônica, lembrei-me de outra do Manoel Bandeira, onde ele descrevia o medo de morrer longe do seu pai, posto que faria uma viagem à Suíça para submeter-se a um tratamento contra sua tuberculose, e não querendo que fosse longe do seu pai e tendo o Oceano Atlântico como obstáculo a distanciá-los. Quem morreu foi o seu pai, segurando sua mão, não tendo, sequer, um parede a separá-los.
A angustia do Álder, por não entender o porquê de uma partida tão prematura, aliada a um não sei quê de que porque eu não estava lá, faz-nos repensar o que é ser um pai. O que é ser pai dentro de um contexto onde temos que ser provedores machos e leoas de nossos filhos. Independe o sexo da criação quando o assunto é amar e ser amado. Ensinar aos nossos filhos o que é amor e o que é amar, sem distinção. Ser pai é ser leão e leoa. É ser fera e ser manso.
Pais, quem os teve, ou quem os tem, não são a última pá de terra que se joga em sua vida quando ela não existe mais; pais, quem os teve, ou quem os tem, não são o último grito de aflição quando está se afogando e nem o primeiro espinho que se tira do pé infante.
Álder, entre aspas iniciei meu sublime comentário, não pela dor acolchoada que suas palavras cobriram nosso manto de ternura e de admiração por todos os pais, ao contrário, porque não pude derramar uma palavra pelo pai, que acho que não tive, e tampouco uma lágrima para deitar-lhe sobre o ombro naquela viagem para o Iguatu.

5 de jul. de 2011

A FELICIDADE MAIOR DE UM PAI


Acredito que não existe nada no mundo, nesse mundo tão complicado de se viver, tão injusto e tão cheio de agruras e desigualdades, mais importante do que perceber o brilho de vitória estampado nos olhos de um filho. E de uma filha.
Acredito que não existe ninguém no mundo, nesse mundo tão cheio de incertezas, de ódios e rancores vãos; nesse mundo no qual não cremos vivê-lo, consubstanciá-lo, trazê-lo para perto de nós como se fosse um rebento nosso, alguém que seja mais feliz do que eu.
É claro, falo sobre minha filha Mariana, para mim nascida Mariana Barbosa Nobre de Almeida, assim, sem tirar nem por, sem desmerecer quaisquer sobrenomes, nem evidenciar algum em detrimento de outro, ou porque soa melhor aos ouvidos um, ou porque um outro remete a tergiversações denotativas que possam transparecer algo além do que se está grafado e do que, verdadeiramente, representa. Simplesmente, minha filha se chama Mariana Barbosa Nobre de Almeida, como convém a uma princesa que tem uma mãe e, também, um pai.
A felicidade maior de um pai é estar acima de todas as adversidades e saber que, em alguns momentos, o melhor é renunciar a muitas coisas em nome de um bem maior. A felicidade maior de um pai é relembrar de um dia, quando sua filha estava infeliz em um colégio (ela era pequenininha, mas já se impunha) e acatou seu pedido, transferindo-a para outro e, assim, vê-la desenvolver-se feliz, sendo esse anjo de candura, por mim descrito em crônica alhures.
A felicidade maior de um pai é estar feliz com seus filhos, acompanhando-os, mesmo que distante, e vibrando com suas conquistas. Suas conquistas.
Tenho meu coração em festa e me declaro festivo e festivamente escrevo sobre as festividades que meu velho coração de pai festeja. Sei que é época junina e do meu peito saem balões iluminados por lumes de felicidade. Minha voz acorda a alvorada, soltando rojões de rejúbilo e não tênues são os rasgos de aurora que inundam um amanhecer em paz.
A minha felicidade maior, hoje, é compartilhada comigo mesmo, num brinde solitário, marginalizado e distante das homenagens feitas, e merecidas, para aquela que, para mim, é a mais linda acadêmica de medicina de que se tem notícia.
Tenho convicção de que fiz o que pude dentro dos meus limites. Tenho no ouvido, ainda, sua voz, linda, pedindo-me para orientá-la sobre redação, um item valorizado num exame vestibular. Lembro que desenvolvemos, a quatro mãos, um tema aleatório, somente para testar a parte ortográfica e os aspectos formais de uma narrativa, que é o seu forte, e eu fui dormir tranquilo, sabendo que minha “pipoquinha” faria uma excelente prova. E fez.
A felicidade maior minha, como pai, é dar-lhe os parabéns, minha filha, porque você é uma vitoriosa desde pequenina. Nas minhas mãos, para sempre, estará marcado, com os ferros da felicidade, o símbolo de sua vida: UM M. De Mariana e de Médica.
Sei, minha filha, que o futuro lhe reserva as maiores venturas. Estarei sempre atento ao que se passa ao seu redor, mesmo que distante e mesmo que, solitariamente, brinde ao seu sucesso e sua felicidade, que é tudo que eu quero nessa vida.
Parabéns, Mariana Barbosa Nobre de Almeida, pela felicidade que você me dá por ser o seu pai.